Momentos Roubados (Stolen Moments)
(...) Não é o desdobramento do Um, é uma reduplicação do Outro. Não é uma reprodução do Mesmo, é uma repetição do Diferente. Não é uma emanação do Eu, é uma instauração da imanência de um sempre-outro ou de um Não-Eu. (Deleuze, 1988: 105)
Deixa uma sensação de perplexidade. Recomendaria esquecer Deleuze por enquanto, imaginem que estou falando com vocês sem filósofos supostamente complicados e questionadores por perto olhando tudo com ar de reprovação e assombro. Mas também considerando o respeito por princípios fenomenológicos e até mesmo científicos, convenhamos que nenhum assunto que parece segredo oculto é fácil de abordar. Vou falar sobre momentos roubados, sobre pessoas que parecem procurar certo tipo de soluções, mas acabam invocando apenas a necessidade de permanecer sempre ao redor dos mesmos problemas e aquelas "poucas soluções" de sempre, problemas por separado parecem pequenos ou até hilários, mas juntos mostram o padrão decadente e até mentalmente perigoso da pessoa. Assim, seus melhores momentos, são roubados.
Então, quase sempre essas pessoas ocupam lugares e espaços na vida passando despercebidos em tudo porque já estão padronizados na sua própria cômoda ignorância que passou pela oficina e agora está blindada de aparência. E desta forma, muitas pessoas de talento vivem como pseudo-vegetais, e não representam seu discurso original promissor, porque não vivem isso. Dizem que lutam porque pretendem um aumento de salário, lavam a louça, pagam contas, mantém alguns dos seus prazeres imediatos, afastam questionamentos pesados e dores de cabeça, tomam banho todo dia mas na verdade vegetam vazios num quarto escuro e estreito, estão quase que clinicamente mortos mesmo para o conhecimento rudimentário. Parece duro. É duro mesmo, mas tem opções. A pessoa procura culpados mas encontra o espelho. Por isso muitas vezes a última chance de um guerreiro é mesmo se esclarecer frente a si mesmo, frente ao espelho. Geralmente o homem comum não enxerga tudo isso, com algumas exceções Sempre existem boas opções quando uma pessoa se enxerga com sinceridade. É um bom começo para não ter seus momentos roubados.
Vocês podem julgar esse pequeno ensaio como quiserem, mas quem conhece um pouco a cidade de São Paulo nesse novo milênio principalmente à noite -e não se deu ao trabalho de olhar bem o que vê e o que faz- pode ficar bem confuso com algumas coisas da sociedade jovem paulistana que representa o tipo de sociedade como um todo. No Brasil algumas cidades se parecem por ter essa caraterística ou presença forte especial, como muitas capitais de estado, tão diferentes entre elas. Mas a parte difícil dos afazeres dos seres humanos começa em qualquer cidade ou lugar: quando muitos decidem fechar os olhos, preferem não se comprometer demais com a realidade. Alguns mais espertos não se deram ao luxo de fechar totalmente os olhos perante a realidade. Assim certas verdades e coisas da vida aparecem muito claramente. Mas mesmo sem supostos enunciados intelectualmente chatos geralmente as pessoas nem querem saber disso para não ter constrangimentos, o que prova que uma escolha medíocre, inadequada ou idiota continua sendo uma escolha padrão, e cada vez mais uma opção precoce. Hoje em dia a inteligencia é mais precoce, só que a idiotice também. Mesmo assim vira motivo de risada distraída, como se o que implica esse tipo de decisões fosse levianamente engraçado.
Mesmo num suposto momento de lazer você vai perceber que é melhor tomar cuidado com bastante coisa. O mundo quase sempre não é o que parece. As pessoas lutam por poder, porém a realidade apresenta possibilidades também de aspectos contemplativos, e ainda permanecemos num mundo muito predatório e competitivo. Assim é uma cidade, um conglomerado urbano: convivência com mudanças, competição e busca da identidade concentrados, e é a cara da situação humana do país. O cenário metropolitano paulistano não foge das regras da vida nas cidades em geral. Está sempre em expansão, a grande metrópole da América Latina tem certas manifestações específicas próprias, de cidade dinâmica para os negócios mas muito saturada e com trânsito demais, serviços muitas vezes mais perto de ser deficientes, problemas crônicos de infraestrutura, descaso administrativo e de gestão das prefeituras.
Pois é, essa é uma cidade-monstro-ineficiente que de uma forma ou outra promete aos recém-chegados sempre mudanças econômicas, e joga muito duro contra quem não está bem financiado. Uma cidade que chama as pessoas, mesmo que não tenha boas noticias para muitos que vem de regiões onde a palavra "salário" é algo assim como uma negociação simbólica imposta por uma entidade invisível. Uma cidade que recebe a todos. Falamos de uma nação onde as pessoas das classes médias e baixas não tem praticamente poder econômico nenhum, -só para pagar suas contas em atraso, ou serviços de crédito extorsivos - e dependem muitas vezes de programas sociais, que como sempre é sobrecarregado e finalmente acaba bancando mais espertalhões do que pessoas se recolocando no mercado de trabalho. Geralmente para os aventureiros da classe media, até que impõe bastantes desafios, entre os desafios mais cruéis por exemplo estão as contas (mesmo as mais simples) por sinal bem maiores do que os salários. Tudo isso maquiavelicamente acaba sendo o cemitério da planificação de vida. Ninguém consegue planejar bem a vida sem uma base econômica concreta e viável, por mais simples que seja no começo.
Esse panorama desafiante é constante, é claro que tem algo de positivo. Seria ainda mais interessante se o sistema funcionasse como diz que funciona. Também outras vezes facilita certas digamos assim inversões, é uma inclusão no mercado. Antigamente entre dez pessoas uma se dava bem na vida, agora a conta é de cinco, sendo muito otimistas. Um pouco mais favorável do que em outras épocas, mas a situação da classe trabalhista continua mais o menos como sempre, as leis da economia local seguem mais a velha mentalidade das épocas de Vargas. O trabalhador é uma peça útil e sua folha de pagamento tem mais descontos do que ganhos, na carteira de trabalho parece tudo pelo social mas na verdade é para poder tirar mais. É para poder nivelar tudo por igual e controlar melhor a situação, para que fique tudo igual. Quem tem uma empresa e contrata ainda pagará impostos altíssimos extorsivos para alimentar burocratas que deixarão as reformas importantes para mais tarde, -porque assim poderão continuar a votar o próprio aumento de salário em 150 % para que tudo fique igual enquanto o salario mínimo das pessoas fica por migalhas-. Ser da classe politica traz sempre bons negócios, nunca é um ato de sacrifício, e muito menos pelo eleitorado. Ser da classe trabalhadora é ficar ouvindo promessas de situações e direitos, mas no final fica abandonado economicamente. É a cultura da defasagem, do atraso, do aguardo eterno, da burocracia que não se resolve e o sistema não funciona da classe media para baixo, é um fenômeno sociológico,
É claro que muitos jovens de uma sociedade assim tenderão a ser reacionários, inseguros, revoltados e especuladores. Hábeis na mentira. Até sentirão um sensual prazer em se omitirem de tudo. A ilusão de se sentir fora de tudo porque é uma aparelhagem amontoada que não anda. Mas é assim que funciona o Sistema, para ser político uma pessoa tem que entrar na roda do negócio especulativo, burocrático, tendencioso e coisas bem piores. Chama-se isso de "administração política", e ninguém quer fazer perguntas demais sobre tal gestão, parece uma seita. Sabemos disso e ainda assim muita gente prefere não acreditar na parte concreta do Sistema, querem ver o lado romântico, não querem saber quantos gigantes mágicos foram amarrados, quantas vozes caladas, quantas coisas interessantes esquecidas para que alguns coitados malandros de gravata roubassem os louros, os telespectadores e o dinheiro, sem mudar absolutamente nada. Para deixar tudo exatamente como estava.
A metrópole é atraente e ao mesmo tempo especificamente agressiva de um jeito muito cara de pau de cidade grande. Essa agressividade de fato aumentou nos últimos tempos, pode ser sentido em qualquer cidade do mundo em geral, essa qualidade do século XXI: a neura. A metrópole ostenta um poder altivo, brutal e sedutor de concreto e desejo. Um desejo de plástico e vidro realmente grandioso, enganoso e agressivo. Parece um formigueiro gigantesco, visto da Lua. Representa essa busca pela nova identidade presente em cidades grandes. Milhares de combinações de diversos destinos, e variações de acontecimentos que modificam as pessoas. Essa cidade foi influenciando as pessoas nos últimos 30 anos de uma forma acorde às manifestações da assimilação da modernidade, regional e mundial. Estamos todo dia perante um caos precariamente controlado.
É Preciso Fingir
Muitas vezes as pessoas individualmente agem de forma muito diferente do bom senso e dificilmente querem mudar alguma coisa nas faixas etárias entre os 25 e 35 anos, não estão preocupados com o fator tempo, principalmente os mais confiados e distraídos. Dos três porquinhos o menos preocupado é aquele que tem a casa de palha. Sorri e pensa: "Graças a Deus tenho a minha casa própria".
Enquanto pouco nos ensinam da vida, quando crescemos o prazer e o consumo podem ser administrados de qualquer maneira "enquanto houver oportunidade", sem esperar consequências do mal uso de energia, saúde, independência.
Ainda assim pessoas se sentem tentadas a fazer isso, a se desgastar facilmente, a destruir sua espiritualidade. Como aquelas estrelas raivosa e arrivista da televisão, que fazem declarações polêmicas no twitter. Seguem assim vivendo um mundo de sensações duvidosas, perante essa limitação gostam de enaltecer pessoas-celebridades do tipo revolucionárias ou charmosamente rebeldes, mas não querem saber dos elementos concretos nas suas vidas -relacionados ao perigo de cultivar valores errados- que mais cedo ou mais tarde um dia vão também encurralá-los e desfazer qualquer progresso.
Tudo o que não souberam conceber durante o dia querem compensar à noite e não dá certo: mas é preciso fingir. É preciso fingir que estão aproveitando o tempo. Aí começa o conflito mais comum e mais besta dos relacionamentos: querer demais brigar com a insustentável leveza do ser, uma situação constante de desequilíbrio. Muitas pessoas chamam isso de aprender alguma coisa porque tem a sensação de ter "tentado". Mesmo desaprendendo aquilo que antes dominavam; e qualquer falha no sistema tem como saída culpar outra pessoa das próprias frustrações, a pessoa mais próxima, respostas levianas de efeito. Mesmo que essas frustrações gritantes estejam apenas na estrutura complexa mental de apenas uma pessoa que nem isso sabe explicar, só que de repente sabe muito bem dividir culpas. Por isso é preciso fingir, o Sistema também prevê isso. É preciso saber sorrir e parecer confiante para quem se está mentindo.
É claro que existe uma extensa rede de facilidades para o ego consumista e negativo se desbocar, e sendo aplicado na vida real sem dúvida tem um efeito final deprimente. Mesmo sendo previsível e perigoso, certas pessoas moldadas em certos padrões bem conhecidos de medo, violência ou padrões de abandono, cultivam baixa autoestima. Assim preferem essa vida de 'momentos roubados' do que perder a imagem e o status de 'esperto consumidor' da vida. Dessa forma muitos jovens modernos ficam pressos em estruturas vazias, compram as mesmas camisetas que as gerações passadas com os mesmo heróis, repetem as mesmas frases e os mesmos erros que as gerações passadas e dificilmente vivem alguma coisa verdadeira. Não era essa a intenção, só que na justificativa da noitada é fácil para uma pessoa mais o menos articulada fingir ser um grande discursador do empreendedorismo teórico, de dar ouvidos as palavras sem comprovar os fatos.
Tem muitas pessoas que exageram no improviso da juventude, sejam hormônios demais seja impeto cego demais. Estão preocupadas na maioria para se adaptar as pressas, para ser aceitos no contexto social. Vivem uma adaptação mesmo em circunstancias esdrúxulas, ou até ridículas. É de certa forma recorrente para um bom observador sentir aquela presença de velhos personagens voltarem vestindo formas diferentes. Querem ser diferenciados do resto, e por incrível que pareça essas personagens mesmo assim se repetem. Pareceria um absurdo antropológico, mas é isso o que acontece. Uma sociedade onde os indivíduos procuram ser diferentes e cultivar valores individualistas, mas por outro lado se entregam a aceitar muitas vezes a fazer idiotices em nome de um grupo que se acha muito especial, vivendo uma ilusão. Tudo depende de certos contingentes ou grupos onde se identificam, de fato procuram ser aceitos. Essa típica aceitação tribal, que todas as sociedades tem gravadas na memoria coletiva. Hoje em dia os valores mudam com a qualidade de abrangência cultural das pessoas e a sua posição econômico-social. É claro, os mais ordinários tendem a cultivar aqueles valores que sentem que os favorecem diretamente, mesmo sendo muito efêmeros. Também desconhecem o resto de "valores" que de fato se interconectam. E por isso que no âmbito da consciência não existe igualdade nas pessoas, cada uma tem um nível e um certo limite de domínio do comportamento social, e do 'self''. Por isso as escalas de valores fictícias e precárias também muitas vezes se transformam em religião. Para os mais infelizes é mais fácil deixar que a palavra de deus explique, mesmo que seja evidente que são eles mesmos os artífices de grande parte do próprio destino. As pessoas de mentalidade muito simples também não vão gostar nada de nenhum tipo de coisa parecida aos "juízo de valores", nem mesmo sendo indulgente com eles~. Sempre gastam suas energias numa hábil estratégia de defesa. Tem o "kamasutra" das respostas prontas, respostas em todas as posições. Uma das claves para detectar esse vazio é que entre as supostas inteligentes respostas prontas sempre essas pessoas expressam olhares preocupantes neuróticos, nunca serenos. É quase uma arte aprender a ver e evitar essa posturas, mas tudo tem um preço: se abrir demais os olhos será rapidamente excluído desses ambientes. A desculpa típica é que são assuntos "muito intelectuais".
Relacionamentos Competitivos: ambição demais, trapaça e jogo sujo
Em São Paulo aparecem as questões tipicamente metropolitanas no inevitável xadrez da vida, onde as pessoas vão ser declaradamente competitivas, e existe a pressão permanente das grandes cidades, diferente da mentalidade do interior. Nos ambientes de luta social ou de desafios muito grandes até nas coisas mais simples, muitas mulheres vão declarar guerra secretamente entre elas porque desde cedo estão educadas para invejar a posição social da mulher "poderosa", não exatamente para ser livre, senão para se manter na competitividade e se puder ostentar poder. Os caras vão montar um esquema de rivalidade entre eles, quase tipo líder de matilha, arena de competição entre testosterona competitiva. Uma região com outro tipo de adrenalina em jogo, e bem mais passageira. Geralmente aparecem dois o três tipos de homens previsíveis, as mulheres conseguem estender rivalidades e tensões mais antigas. Mas a coisa central é que hoje em dia as pessoas tem medo de arriscar se relacionar num nível mais profundo pelo lado assustador das caraterísticas efêmeras das coisas da vida, a condição da mulher atual, pela realidade econômica. Também por não querer se adaptar abrindo mão de algumas comodidades. Principalmente essa tendência aumentou frente a um mundo que muda muito mais rápido do que faz cem anos atras. Existe um conflito simulado moral muito grande, o lado negativo é a falta de compromisso com qualquer coisa. É por isso que as pessoas que são em principio inteligentes mas se fecham nesse esquema, são derrotadas depois no emocional, sentem fortes tendências a uma versão "punk" moderna de niilismo, as vezes bem perto do "self-destruction". Atração por querer viver desregrado porque é a única forma, -e a mais tosca- que consegue um individuo medíocre para interpretar o mundo.
As pessoas se refugiam nos extremos dos conceitos e os conceitos extremistas se refugiam na mente como numa volta macabra fazendo um post-estrago, muitos assim passam a viver o mundo e as coisas da vida também de forma descartável. Não interessa quanto discurso de respeito aos grandes valores juntaram, repetem em tal ou qual ocasião social. É uma farsa, até uma farsa em alguns casos bem cínica, porque é forjada até com piadinhas sem graça. Depois é complicado ver as pessoas como objetos descartáveis e não como pessoas. O motivo é simples. A pessoa que brinca com o mundo descartável e exageradamente desregrado também um dia se vê a si mesma como objeto descartável, porque foi assim que sua estratégia a levou a se adaptar aos ambientes de pessoas desse tipo. Aos poucos vai mudando, vai torcendo a mente, vai sucumbindo, e sua autoestima fica por um fio sem que ela conheça sua verdadeira situação, muito menos o motivo de chegar ao ponto em que se encontra. O grande erro começa por não se dar ao trabalho de observar corretamente as coisas que se fazem, e também como funciona a atitude com o próximo, como funciona a interpretação do mundo.
A sociedade vai fabricando seus arquétipos, mesmo sob a mira de constantes grandes questionamentos e reinterpretações tem escolas da psicologia dedicadas a essas observações teóricas modernas. Com o passar dos anos esses elementos parecem apenas mudar a aparência, mas sua força ou potencia original parecem as mesmas. Assim com essa contradição as pessoas acabam sendo representantes da sua própria época. Podemos dizer que muita gente testa as suas forças, ate podem fazer isso estupidamente. Pessoas às vezes com os pés no chão, com planos, pelo menos nos negócios. Pessoas até legais, mas quase sempre com uma visão muito pobre para as necessidades contraditórias que pretendem satisfazer ou sonham. Muitos embaralhando as melhores ideias que se esquecem aos poucos numa mesa com cerveja e saideira incluída. A memoria é curta nas baladas, na noite. Só vale pelo tempo que dura a noite da balada e o tipo de diversão, por isso também é perigoso se entregar aos pensamentos que a balada e o lazer distraído oferecem porque as pessoas que os sustentam principalmente são inseguros e desesperados quase sempre, são muito superficiais com usos de slogans mentirosos. Muitas vezes tem que ser mantidos com artificialidades o uma ostentação imbecil e doses incríveis de idiotice. Os slogans falsos acabam se repetindo nas mentes fracas e são assimilados depois como verdades.
Até a Sorte pode Acabar
É muito perigoso se aventurar ao conhecimento principalmente desarmado, mas é válido obter ao menos um autoconhecimento mais exato mesmo na pior das experiências possíveis ou no meio de uma turma "sem noção". O conhecimento sem regras é um amigo perigoso. O dinheiro você usa e depois acaba, mesmo a sorte acaba. Tem gente sem rumo demais, exposta demais aos caprichos do destino sem necessidade, mesmo fazendo coisas consideradas inocentes, ficam a mercê de grandes bobagens. Estão muito precariamente cientes da sua própria época. Também gente que não esta prestando atenção o que exatamente representa seu protagonismo, de fato como é vista sua atitude. De repente toda essa justificaçãozinha social de "que bom que hoje é sexta-feira" para os trabalhadores, se mistura com a filosofia do "tanto faz". Mas a questão principal é que depois reclamam da segunda feira mesmo que aquele dia existe desde sempre.
Tudo é adestramento. Somos adestrados com informações veladas constantemente, assim fomos adestrados a que balada das sextas são "o ódio consumista para viver rápido sem aprofundar demais na frustração programada que o sistema fornece de segunda à sexta". O sem sentido é moeda de troca, evita querer saber demais o que na verdade já é sabido. E esses aventureiros da moralidade que acham poder muito com antelação são capazes e estão plenamente dispostos a julgar de maneira totalmente contrária o que na noite anterior defendiam com o copo na mão. É como estar dispersando demais energia, como fazem as crianças. Ai depois, -geração para acima-, repetem as mesmas coisas erradas que criticavam nos mais velhos. Existe a sensação nas grandes metrópoles modernas, no decorrer da avaliação do dia que todos nós fazemos, de que as vezes, o vazio nos tempos de hoje parece ainda maior. O vazio é igual do que era antes, tem mais amplitude porque a visão do homem moderno ficou um pouco mais ampla, mas infelizmente não o suficiente para realmente fazer uma revolução na própria realização e felicidade, no centro das próprias estruturas antes mal interpretadas.
Existem quiçá mais ferramentas de distração do que antigamente, basta comprar um telefone novo que tem tudo e por ultimo o telefone mesmo. Socialmente tudo é mais tenso. Os desafios para a típica classe media que tem sempre que se virar com pouco para sair dos condicionamentos, são eternos. Seguem o percurso na luta do dia a dia, com dedicação e também com cara de pau. Seja nos estudos, trabalho, família, relacionamentos. Tem casos que não teve dedicação nenhuma, vão empurrando com a barriga. Isso tudo, o fato de insistir na mesma situação tende a demonizar as coisas. Até pode se tornar os "quatro cavaleiros do apocalipse". Pressões metropolitanas comuns a todos os cidadãos são implacáveis e impiedosas, pegam todo mundo na luta pelo progresso. Quebra o cara em dois, deixa a mulher moderna sem esperança. Todos sofremos a pressão da vida mas quando obtemos alguma solução, depois queremos esquecer em vez de continuar a busca do conhecimento nas coisas mais próximas, onde haveria mais respostas. O segredo que se esconde em cada coisa que fazermos.
Aquele corre-corre, às vezes sentindo certo remorso fingido na contradição que se conhece demais. Ás vezes com sorte, às vezes com até talento para ser virar. Assim mesmo existe a aparição, ou digamos manifesto de pessoas de visão esclarecida. Entre essas pessoas podem-se ver ás vezes alguns níveis de emanações de camaradagem e amizade, dependendo do ambiente. Senão são apenas seres de passagem, que vão ficando um tempo na área sensorial da mente até ir desaparecendo. Somos formigas na cidade que se olham uma vez e se ignoram para sempre, e seguem a marcha frenética, Até cumprimentar é visto como debilidade por muitas pessoas. Ser gentil também, hoje é visto como perda de tempo, mas depois sente-se a falta. Como cortar todas as árvores e depois sentir que o vento desértico cheio de poeira e gelado nos incomoda, não tem mais aquela brisa fresca de ar purificado dentre as folhas. Fica a sensação muda e covarde de que um erro grande foi cometido.
Na questão da aceleração progressiva dos tempos, e da evolução, podemos observar por exemplo nas mulheres aquelas que querem realizar muitos sonhos no acelerado século XXI. Realizar coisas as vezes que nem conhecem direito com a urgência e impaciência daquela pessoa que fora o mundo em geral, também sente a pressão cultural das mães, tias e avós, vindas entre as fendas misteriosas do passado. Assim podem se tornar instáveis demais, flutuando mentalmente e quase falando sozinhas. Procurando padrões de comportamento com homens que completem a parte que falta, e que cubram no mínimo as necessidades básicas, mantendo distancia. Enfim, que sejam apenas úteis, ai ficamos todos quites: porque os gêneros estão ocupados nas tarefas esperáveis e nenhum tem o que reclamar pro outro, exceto o tédio. Em princípio não parece tão fria essa nova sociedade que vai surgindo, o que é engraçado é que são depois as próprias mulheres as que reclamam de 'frialdade' por parte dos homens cheios de 'malícia machista', ou de falta de sensibilidade. Essa 'geração mental contraditória' feminina se multiplicou nesses últimos anos, e segue os preceitos materialistas esperáveis e a ausência de sustância nas coisas, também esperável salvo pouquíssimas exceções. Mas é claro que tem caras que acreditam nas mesmas idiotices que elas e até as financiam. Uma coisa não existe sem a outra. Material girl requer material guy.
Todos querem reclamar disto e aquilo, afirmar direitos e generalizar, mas não é possível estabelecer nem controlar os responsáveis diretos pela aceleração progressiva e enlouquecida dos tempos, é uma questão de níveis de poder. Mas é possível como pessoa se manifestar e se opor de alguma forma a questões que obviamente vão destruir coisas sem construir concretamente mais nada. Essa resistência mesmo que mal interpretada, é uma emanação importante, é um efeito em resposta à qualidade dos tempos. Tem a ver com a impecabilidade das intenções.
Assim por exemplo, a mulher moderna pode ser observada de maneira real, outras interpretações superficiais só ajudaram a trazer ainda mais confusão. É interessante ver como os homens enxergam as mulheres modernas. O que chama a atenção é geralmente a mudança de comportamento. Sem uma necessidade ou motivo específico identificável, o comportamento feminino é pior do que qualquer mistério. Nos dias de hoje, podem ficar ainda mais pretensiosas e também mais nervosas. Podem ter sido mimadas no passado, muitas criaturinhas acreditam honestamente nessa encenação de independência feminina. Acham que isso é independência, não uma copia mal feita. Copiam em parte discursos das mães de tempos que passaram, é mais fácil ver a realidade quando alguém nos diz como ela tem que ser. Não é prioridade observar o mundo moderno tal como se apresenta, basta um simples olhar. Muitas são só modernas para o cabelo, celular e sapatos, não muito para ir além disso. Quem sabe depois vão reclamar da solidão quando afastarem todo mundo. Existem tendências mesquinhas na personalidade. Ostentar essa personalidade e fazer culto, não fazer uso da personalidade para se desenvolver na sociedade, mas para fazer 'cult'.
A personalidade deve ser antes "cult object" para poder ser mesmo ouvida tem de ser 'vista', ter rápida aceitação social, nesse caso fala-se o tempo todo do "eu". As pessoas mesmo assim depois com certeza também mostram muitas qualidades. Nem tudo é negativo, é claro. Mas esquece cara, é sempre igual. As que tem mais tendencias "personality cult object" vão complicar as coisas, e também vão torrar seu saco mesmo com muita bobagem. Então calminha aí e vai treinando paciência e ainda vai ficar devendo. Tem também o caso dos homens que realmente não querem ver a realidade completa, e tem medo de dialogar com as madames. Aí pode ser mesmo o cara que embaçou, e a coisa finalmente piorou. Então é engraçado (ou não) como as relações comprometidas são coisa rara de ser ver. Quem sabe isso poderia ter alguma explicação, mas com certeza não seria a mesma para todos.
Não podia faltar mais uma confusão, para o mais esperto ficar mesmo perdido. No meio disso tudo, do maracatu todo, também tem legiões de sujeitos inconvenientes e inoportunos. Parece que fingem ser fortes e mentalmente desenvolvidos, e mesmo sendo uns panacas devem demostrar que tem massa muscular. Se tiverem certo nível econômico pode aumentar o nível de padrões de mentalidade digamos agressiva, e também a questão egocêntrica que se vê muito bem na ostentação. Tem carinhas também que se acham muito espertos só porque obviamente sentem a força da juventude, isso não é novo. Outros que se criaram estilo "somos os incríveis do bairro", ou da 'comunidade'. Eles vem lá do bairro de classe média querendo rivalizar e conquistar espaço e notoriedade em novas regiões. Tem os apressados que se jogam de cabeça na balada e também batem o carro que comprou o pai, antes de pagar a 5º prestação. É necessário bem mais do que miolos para poder enfrentar a realidade da grande e exigente metrópole, e não acabar com a cabeça seriamente embaralhada e o físico esgotado, o que obviamente leva depois a fazer mais besteiras. Todo mundo sabe que também existem situações e coisas bem mais serias, como desistir dos princípios e também deixar a um lado os melhores sonhos como indivíduos. Primeiro a pessoa começa a falar besteiras que antes odiaria dizer. Um dia acaba sendo aquilo que anos atrás odiaria ter sido. Então, os dois gêneros hoje muito ansiosos e competitivos, como no caso dessa grande metrópole, se igualam geralmente em qualidades e as bobagens astronômicas que tendem a fazer.
Um dia percebem que faltou alguma coisa. Que não progridem muito se relacionando como adultos, mesmo passando dos 30. Tem uma defasagem. Por que muitos preferem achar que a vida é uma brincadeira afinal? Parece um truque da mente de muitos. Nos momentos necessários e urgentes, não são levadas a serio a ética, o ser correto. Assim a firmeza da mente se esvazia na intensidade. Mesmo assim muitas pessoas gostam de ser desonestos consigo mesmos e levar isso na brincadeira, na "insustentável leveza do ser". Na grande metrópole isso passa batido na multidão, ninguém tem tempo, ou poucos se consideram 'tão importantes', como para enxergar e interpretar aspectos especiais das coisas. Tudo vira mistério, como se fosse uma encenação da vida numa treva cheia de luzes e confusão de movimento. São Paulo vira um mistério de vidas e estórias cruzadas numa aceleração fingida moderna, onde os conflitos de forças em ação ficam mais intensos, mais fechados e mais individuais.
É comum que as pessoas confundam moral com alguma coisa antiga que não serve mais, e que tem que ser destruída porque é coisa do passado. A rebelião do mais ignorante, a propaganda de produtos de consumo ajuda culturalmente a afirmar esse tipo de confusão. O sucesso principalmente econômico é potenciado muito também com essa base de ideias mentirosas e trapaceiras. Mesmo até com tanta informação que hoje é tão fácil achar, a informação não ajuda tanto assim. De um celular você tem acesso a toda uma biblioteca se quiser. Nem precisa ser um "nerd" para estar informado, mesmo assim tem coisas que não vem explicadas em lugar nenhum. Tudo esta na frente dos nossos olhos. Hoje não precisa ser psicólogo para descobrir a mentalidade da turma que você frequenta. Uma pessoa que quer levar a sério certas coisas, ou digamos assim, que não esta disposto a levar na brincadeira certas coisas, percebe sem ter muito intelecto que nos tempos modernos desse novo milênio, é ainda mais difícil do que antigamente saber quem é quem.
Hoje é muito mais fácil ser um idiota do que antigamente, e assim se misturar, se enturmar, socializar... até gostar da confusão. As pessoas mais fracas tem sempre boas saídas verbais, no meio mesmo de uma grande confusão. Mesmo que se escondam numa filosofia mordaz bem previsível, acabam aprendendo a fingir muita coisa que não são, claro, mas ficam "cheios de querer". Coletando depois legiões de possíveis admiradores, o culto de ser inseguro e espontâneo com qualquer bobagem é comum que vire motivo até de aplauso. Assim espalham essa filosofia oca até como se fosse divertido. Como se fosse um cinismo muito bem elaborado, porque tem uma característica light suficiente para poder se enturmar, e o poder de consumo qualifica qualquer idiota para fazer qualquer besteira enquanto pode pagar por isso. Não se questiona a liberdade de escolha. Porém é estarrecedor como atrai o lado destrutivo da mediocridade ou a força da desídia. Um jogo estranho de autopunição?
O individuo diminui a sua inteligência muitas vezes para participar de alguma sociabilidade e tal, mas depois junta forças (ou acontece por acidente) para até reconhecer em algum momento solitário após alguma gloria, que no final das contas não sabe bem quem é como individuo. Isso parece ainda ser o centro do conflito urbano, o que por exemplo na competitiva São Paulo um bom observador pode perceber. O centro do conflito urbano afasta seu conteúdo moral, obriga a focar toda sua ação no sucesso imediato possível. O fator questionável da moral social e a moral individual, a rivalidade substancial entre os dois conceitos. Também são fatores de valores flutuantes, cada um produz uma forma de moral, e cada um tem a sua moral. As vezes são parecidas. Desde criança todos temos uma moral, mesmo que muitos decidem esquece-la depois. Existem pessoas que não tem uma forma de moral identificável, por tanto geralmente também se diz que são imorais. Muitas vezes se escondem numa imagem, num slogan ou personagem. Por incrível que pareça, no século das tecnologias das comunicações, as pessoas passam umas perante as outras sem chegar a se comunicar ou conhecer direito. O ser humano desfila perante o próximo, a imagem da humanidade é uma espécie de marcha ou desfile. Ator e espectador são a mesma coisa, em diferentes tempos.
"Quanto mais conheço você, menos sei quem você é".
É sempre na soma da suas atitudes que pode-se distinguir quem de fato é uma pessoa, quais são seus níveis de valores, um conhecimento direto que apenas nos limita a traçar perfis que no geral dizem muito pouco porque é muito difícil, senão impossível, ter olhos profundos o tempo todo focalizados no mesmo ponto numa realidade sempre em movimento. Existem possibilidades da pessoa se transformar num individuo que luta pelo seu individualismo mais qualitativo, chegar mentalmente ao centro do seu ser, e não mais se enganar. Nem sequer precisa ser intelectual para chegar à essa conclusão, ou formado. Não é certo dizer que sempre tudo seja só questão de instrução, que só o individuo instruído consegue atuar e participar da sociedade. É bastante fácil observar as incríveis possibilidades criativas da sociedade, que acabam sendo pouco utilizadas. Muitas pessoas preferem também se esconder numa espécie desleixo que não é exatamente ser sincero. Jogar um jogo de aparências que obviamente parece divertido, ao menos no começo da representação. A magia de saber tudo de outra pessoa pelos 'signos' por exemplo, todo mundo gostaria de ter e preferem acreditar nisso. É provável que aquele mundo do oráculo das personalidades e a cosmogonia seja falso e infantil, desprezando a riqueza especial que cada pessoa tem.
Se a nossa sociedade não fosse tão previsível e medíocre, talvez as fronteiras mesmo da percepção entre as pessoas quiçá poderiam se abordar de maneiras bem mais interessantes, só que os que se dizem espertos parecem escolher desafiá-las com incríveis loucuras. É como se estivessem sendo 'mais espertos do que os outros' desafiando muitos limites. Hoje em dia se cultua de uma maneira infantil que toda pessoa extremista e arrojada se viver no limite é vista como se fosse uma iluminada. Mesmo que se falar com a pessoa e descobrir que é uma grande idiota, pelo fato de desafiar regiões de adrenalina é considerada heroica sem importar se de fato não é uma imbecil na vida real. É como se o "Clube da Adrenalina" valesse mais a pena que arriscar uma procura de aplicação da inteligência integral diferente.
Desafiar limites tem sido motivo de curiosidade até que a pessoa bate contra alguma coisa. Infelizmente, isso sem o devido cuidado pode ser muito estúpido. Assim, no mundo acelerado de hoje é muito difícil enxergar uma pessoa como realmente ela é, porque quase todo mundo quer cartas marcadas para modificar o destino, misturando preconceitos e percepções verdadeiras e misturando tudo como se fossem a mesma coisa. É assim que aparece na nossa realidade algo bem curioso, um fenômeno ou manifestação que comanda muitas atitudes das pessoas sem que elas percebam muito bem o que está acontecendo. Quiçá seja o que o escritor George Orwell disse em "1984", o "duplo-pensar". Numa ficção onde a sociedade, as pessoas, não mais sabem atuar como realmente pensam, acomodam seus desejos e contradições imediatas a uma segunda consideração mental que é totalmente errada e elimina imediatamente o protagonismo do pensamento correto. No caso do romance, controlados pelo governo, pelo "status quo". Mas o escritor mostra um "extremo totalitário" da ideia politica, existem elementos parecidos que se praticam hoje na modernidade, sem necessariamente vivermos numa ditadura. Simplesmente pelo fato (até poderia se dizer sádico) de que é monstruosamente fácil ser assim.
Nas coisas comuns da vida, nas aparências que os distraídos aceitam como real na sociedade, aqueles corajosos que desprezam "jogos de cartas marcadas", não se entregando ao "duplo-pensar". Aqueles fanáticos fingidos do "duplo-pensar", poderiam parecer a mesma coisa, mais não são. Por alguma posição de ter escolhido uma outra modalidade morfológica comportamental, poucas pessoas hoje em dia estão dispostas a diferenciar esses aspectos corretamente. Depende de diferenças sutis no dia a dia. Resumindo, um abduzido pelo duplo-pensar pode também facilmente se disfarçar. Passar por esperto com certa dedicação perante os distraídos, criar um disfarce até que bem elaborado. É fácil fechar os olhos quando se tem preguiça, ou medo de ver para estragar a diversão do momento. Na balada dá para fechar os olhos de quase tudo, mesmo conversando com outras pessoas. Numa sociedade bastante livre é fácil se enturmar com estranhos, portanto se multiplica a possibilidade de ser estúpido ou resultar inteligente e perceptivo. Principalmente numa cidade acelerada e dinâmica subserviente daquilo que é imediato e até onde é uma obrigação se divertir. Porque a diversão também cumpre uma dupla função, de escape da "semana", mas também dominação sutil do sistema para perder chances de mudar a situação para o individuo no mundo do consumo selvagem. A obrigação do "Happy with What You Have to Be Happy With ". ("Feliz com o que Você Tem que Ser Feliz") O motor do orgulho moderno, de valorizar o "eu" exageradamente e com brinquedos e passatempos fúteis, e ambientes de vaidade e cobiça. A felicidade imposta pelo que a sociedade diz que é a felicidade. Nas ruas as fêmeas febris baladeiras que chamam a atenção aos "caçadores caçados". Todas prontinhas, longe da competição sexual das mães da época da puberdade. Fora dos preconceitos geracionais das estruturas que as criaram, protegeram e depois saturaram, após uma época de rebelião ideológica de autoafirmação, vão ser absorbidas pela intoxicante realidade e assim vão provocar depois outro tipo de modificações, dependendo especificamente que tipo de pessoa é cada uma delas. É assim que funciona.
Em principio, o bom observador percebe que esse tipo de mulheres não estão nunca exatamente calmas nem felizes com a liberdade que conseguiram porque vem que, ordinariamente, pode ser bastante de plástico a filosofia de vida que leva a certo tipo de sucesso econômico sustentável. Estão geralmente atuando como deslocadas bonecas estranhas, que dificilmente na hora que precisa tem muitos escrúpulos. Acham que ganhando espaço a tudo isso e se tornando poderosas sexualmente já está bem, mas muitas decidiram esquecer o resto das considerações necessárias para a felicidade mesmo. As glândulas no mesmo nível que as neurônios. É claro meu chapa, os caras acham ótimo, porque é acender as tochas da batalha, da ambição com um nível de controle. Não importa que amanhã tudo será dor de cabeça. O ser humano esquiço da modernidade tem resistência, para isso anda pelo asfalto do poder. Basta acompanhar o ambiente, grande liberdade conquistada e igualitária. Infelizmente muitas dessas 'chics' viram algo assim como seres esdrúxulos, quase que imperdoáveis. Fingidas demais, difíceis de tratar com verdades. Orgulhosas e depois com dissidia para sua auto-superação. Coisas que no discurso fica tão bem, com perfume e cabelo perfeito, ficam pairando invisíveis nas curvas que atraem. Tem as mais truqueras, mesmo quando se sentem derrotadas pelo seu próprio vacilo procuram culpados. O velho negócio do desprestigio, onde truques antigos funcionam até mais rápido.
Depois dessa, tudo é mais fácil de manipular
Sim, depois dessa, tudo é mais fácil de manipular. Muitas garotas preferem se justificar dependendo do nível de falta de juízo, se desviar da verdade completa, até ficar longe demais do próprio raciocínio. Os caras fazem o mesmo desde seus castelos de orgulho. O fato é o mesmo independente do gênero: viram máquinas de mentir até na maior intimidade. Tudo para poder proteger demais suas conquistas de momento, para sonhar com algum tipo de popularidade de bairro. Quem sabe para contar alguma historia para as amigas. Conquistar o pedaço e sacudir os tabloides da inveja. Pelo menos para ostentar alguma coisa. Por outro lado os homens que alimentam esse tipo de atitude caem nas mesmas armadilhas do orgulho, nos modos masculinos. E aquelas garotas parecem também não resistir ao fato de ter que competir demais no implacável mundo feminino, e mostrar ousadias entre elas antes de qualquer coisa. Na verdade ficam falando mais o menos o mesmo que falavam aos 23 anos. Para isso todo esse "power" feminino moderno. Tem algumas que exageram e acabam sozinhas mais tarde ou mais cedo. Não era o que queriam, era só o que queriam dominar no momento aquele que passou. E o momento passou. As grandes e poderosas fêmeas, que de repente também foram grandes idiotas. Os homens que se envolvem também no próprio duplo-pensar, acabam de fato alimentando inevitavelmente na sua cegueira por ser sociáveis e super-homens essa fauna da fantasia. Dançam a mesma dança. A sedução do imediato persiste, a implacável fábrica da sociedade produz personagens assim todo dia, com todos eles se multiplica o clube dos espertalhões..
Todo mundo sabe que o tipo de luta pelo feminismo dos anos 60 acabou. Hoje em dia tudo é igual no sentido sociológico, socialmente tudo exposto entre homens e mulheres. Porém no Brasil mesmo sendo uma sociedade muito moderna, a maioria das mulheres parecem ainda mentalmente muito primitivas em aspectos muito importantes que deveriam ser apresentados bem mais claros até para o próprio bem-estar delas. Para ter uma adequação mais realista e livre no mundo de hoje, para enxergar melhor a escolha da felicidade. Parece que o passado de crenças das gerações antigas ainda funciona escondido em algumas pessoas. Se vive no presente e no passado, por que? O que aconteceu, por que ninguém fala disso nas turmas modernas? Parece um jogo de aparências exagerado, por exemplo ter uma cartada para reclamar dos homens é sempre bem visto. Parece cartão de apresentação para as mulheres que se consideram "fortes", "duronas". O durão inquestionável foi trocado pela durona inquestionável. Tudo igual, evolução cero. Deve ser porque antes do que liberdade o ser humano cobiça poder. As pessoas geralmente preferem fazer qualquer coisa antes de abrir mão disso.
Tudo vira sensação de poder, não exatamente o tipo de liberdade que muitos insistem em querer fingir, é a obrigação social também de se mostrar sexualmente poderosos. Os caras por fora até bem enturmados que conservam amizades de bairro, do trabalho. Conectados para arrumar um emprego de sucesso, também as vezes ficam isolados nos mundos da limitação de conquistas pequenas e presos nos conhecidos e previsíveis clichês de afirmação. Presos da falta de referência para poder desenvolver verdadeiros potenciais. Alguns cansam logo e logo perdem a força, a confiança, mesmo fingindo que não, e agradecendo algum orixá ou situação merecida por perceber o que não perceberam nunca a tempo de fazer alguma coisa. Até a força divina é sempre lembrada. Jovens modernos aventureiros renovam assim essas dificuldades, fazem upgrades superficiais disso tudo e desprezam o problema central, sem prestar muita atenção ao que se passou com os mais velhos, atados pela tecnologia do mundo moderno e a aparente velocidade das coisas, ébrios para socializar. O tempo implacável passa e quase todos os bichinhos são pegos "pela mesma teia e pela mesma aranha." Os muros das lamentações estão cheios de inscrições visuais espalhadas pela cidade, em forma de grafites. Quem sabe de alguma forma poetas sofredores do asfalto que precisam dar algum nome aos seus erros de avaliação e ao que testemunharam nos amigos e inimigos.
Sempre sem aviso prévio, em certas ocasiões em que a mente parece estar alerta além do conhecido, de forma insistente voltaram estranhas sensações de tempos muito amplos e complexos, meio apocalípticos, que parecem conter premonições de um futuro humano complicado demais porque principalmente não é o que teima em aparentar. Sensações de advertências que apareceram invisíveis com muda indiferença à todos e a tudo o que é possível imaginar nesses arrabaldes e esquinas paulistanas modernas, cheias de diversos tipos de pessoas como sopa de letrinhas diferentes. Sensações de advertências na cara das pessoas que mentem demais. Um 'insight' digamos assim no princípio instrutivo em reuniões entre amigos, num churrasco, feijoada ou em qualquer aventura social noturna. Cenas da vida compostas de várias camadas de simpatizantes de pequenos happenings tupiniquins, curiosas personagens casuais sem sono, ansiosos notívagos querendo mostrar espontaneidade. Jovens que começaram a sair de casa para experimentar as noites da vida, muitos depois também atropelados pela vida mesma.
Noites com aqueles típicos bares da classe média paulistana, salões, shows ao ar livre, sambas cheios e depósitos enormes transformados em quadras de diversão de clubes. Pequenos barzinhos apertados, ou portas escalonadas descendo com pouca corrente de ar. Outras bem ventiladas e bem iluminadas com espaço para fumantes e pagando cinquentinha para entrar. Ora, nem interessa muito a forma aparente nesses novos espaços que parecem às vezes buracos-covis pitorescos com estilo chamados de "inferninhos" cheios de slogans -e com o próprio site- onde as pessoas novas de expressões saudosas sem experiência nem suficientes escudos mundanos ou digamos princípios sólidos como uma autoestima bem focalizada, disputam -quase sem saber- o mesmo terreno que os menos escrupulosos e calos demais na alma. Pode-se ver de tudo, até atitudes estúpidas revelaram gestos de gente-marionete sem projeção para ideias próprias além de certos limites muito básicos. Não é necessário ser muito esperto para perceber padrões onde as pessoas procuram embriagados e exaltados, impacientes ou eufóricos entregar-se primeiro ao momento querendo aproveitar facilidades. Sempre as facilidades. Mesmo que isso contrarie princípios e estruturas que eram defendidas horas atrás, com discursos até convincentes. Gente que adora falar demais. Logo é comum ver que muitos passam a ser utilizados de um jeito que ficam assim meio quase sem saber o que é que aconteceu mesmo. A parte pior é que certo tipo de confusão funciona como anestésico, e isso é julgado como "legal", "adorei", "bacana", "valeu", "que tudo", "quero", "eu posso".
Quem sabe, fazem tudo para não passar por pessoas blassè, ou 'idiot savant', -eruditos desajeitados-, ou se parecer com nerds. Coisas da autoestima dos principiantes preconceituosos que dependem demais da aprovação de pessoas medíocres e inseguras na personalidade. No fim todo mundo se ferra com a solidão quando não querem explorar melhor o autoconhecimento, ou qualquer coisa assim. O jogo vira para eles e quase nem percebem. As armas que ostentavam para se defenderem um dia apontam contra eles. Ficam como dopados religiosamente, como se tudo fosse provocado por um calado destino, que não permite que ninguém consiga controlar muito bem a estrutura dos seus atos sequer para poder manter ligado o lado direito do cérebro, alguma lógica qualquer. Até acham tudo isso bonito. Sempre alguém acaba contrastando, ficando quase acossado por umas forças estranhas, temos que admitir que são realmente num princípio muito sedutoramente atraentes, e logo podem aparecer coisas mais idiotas. Quem sabe o alerta do corpo manda alguns avisos. E logo aparecem nesses ambientes já bem desprotegidos pessoas mais perigosas espiritualmente, (para inexperientes ou distraídos) que vêm como que escondendo uma complexa sarjeta espiritual meio vingadora causada pela própria falta de alguma coisa que seus truques não fornecem, agregando só confusão no ecossistema tanto virtual como real.
O que faria esse tipo de idiotice se multiplicar, parecer até regra inevitável, fazer aos espertalhões virarem panacas e ignorar advertências? Quem sabe seja a capitania da sabotagem. Parecem impossibilitados por própria vontade (isso é possível, sim) de sair do específico tédio monotemático e bidimensional que consume toda sua atenção mesmo sendo um tipo de tédio previsível e de poucos elementos. Forças que controlam a pessoa dentro da pessoa, se fortalecem e provocam certas reações químico-alegóricas com o ambiente que vem comprometido com as nuances da irritação latente do desejo sem conhecimento suficiente.
De repente esse tédio barroco e pré-fabricado que parece comprado em loja de conveniência, e ao mesmo tempo rejeitado pela pessoa em estado não criativo, torna as ações superficiais e digamos tensas. Principalmente mais contraditórias e neuróticas. E ironicamente tudo se parece muito com o tédio do vizinho sem criatividade que procura alguém para se identificar com aquilo que ainda não investigou muito bem, e de repente forma-se um clube de acossados pela chata e insuportável modernidade realimentada por eles mesmos. Existem maneiras muito utilizadas de escapismos, e a responsabilidade não é bem nem das companhias incomuns, nem das substancias ilegais, nem das baladas onde as pessoas tem que gastar seu dinheiro, parece que sempre esperando por fatos e pessoas especiais. Depois encontrando fatos e pessoas, na verdade padronizadas em posturas de bastante conforto, e finalmente nada especiais. O tipo comum é o que sai mais para as ruas.
A solidão das pessoas em princípio sociáveis, é como um rolo compressor onde ninguém quer confessar verdades ou se abrir ao próximo. Uma classe de mentalidade moderna e sutilmente narcisista não permite isso. Os rígidos padrões modernos juvenis subserviente do prazer e o culto a balada não deixam isso acontecer, ou ficar exposto. Que o ignorem poderia ser usado com arma, mas não é bem isso o que acontece. O ficou submetido ao lado "exagerado" não permite que quase ninguém vivencie realidades bem observadas, e sim apenas parciais. Não permite uma auxiliadora maturidade, e sim que se fabriquem estereótipos em nome da "diversão", ou distração, que funciona de repente como salva-vidas aparentemente integrador. Quase ninguém tem a valentia de questionar onde está se integrando, fica apenas focalizando sentimentos de necessidade de satisfazer a autoimagem, e grande parte do imediato. Depois isso tem consequências paralelas quase todas negativas.
É fato, a autoimagem descontrolada do desejo funciona como um estômago de um doente com obesidade mórbida. Como no inferno do hinduísmo: grandes estômagos enormes, e bocas muito pequenas. Tem também a questão sexual. Ali o sexo é interpretado como uma "saída" porque também e uma ação que tem muito do nosso inconsciente animal, que não quer saber de esclarecimentos maiores ou questões paralelas, e sim de satisfazer momentos passageiros que o nível de adrenalina sexual pede. Que aqueles momentos sejam levianos e passageiros evita uma investigação mais profunda, ou viagem responsável ao conhecimento mais substancial, é ali que poucos, muito poucos, arriscam suas naves do conhecimento e poder quebrar essas barreiras dentro da sociedade. Ninguém quer ficar a sós com a própria teoria sem um motivo bem claro. É por isso que existem poucos valentes naquela área específica da consciência humana. O digamos "castigo social" pode ser o mais baixo e cruel ostracismo, pessoas são literalmente cortadas ou excluídas de círculos sociais por diversos motivos. Os preconceitos e protecionismo primitivo da nossa sociedade que se qualifica de 'moderna' não perdoam valentes nem curiosos.
"O Terror ao Conhecimento só Permite Algumas Pequenas Ousadias"
O terror ao conhecimento só permite algumas pequenas ousadias e sempre mais ou menos nos mesmos parâmetros. A sociedade imbecil que mantemos está preparada para se opor a todo conteúdo extra. Por exemplo, ser moderno nas aparências, na superficialidade, no celular, no cabelo, no carrão, no estilo, nos sapatos, na postura, na forma sarada e no corpão desejável, na aparência jovem que imita celebridades, no dinamismo dos movimentos e no sorriso cintilante, na quantidade de amigos e contatos, no sucesso e no poder de ostentar falsa segurança e uma economia sustentável, na capacidade de prover iguarias, na sedução do momento, na capacidade de criar uma imagem político-social num espaço tal. Mesmo que esse espaço VIP seja um estanque por fora até perfumado, mas cheio de tubarões e piranhas que vão disputar a carne numa batalha implacável e sangrenta que só vale a pena para quem aspira sabedoria no estilo dos bandidos e a confunde com a "força do guerreiro". E mantendo o sorriso. Eis o problema, daqueles que sempre querem se enturmar rápido antes de se reconhecer ou observar melhor. Em princípio, tudo parece genial, depois, na maioria das aventuras a pessoa sente um vazio incômodo e uma espécie de percepção de desconhecimento desagradável.
O individuo distraído de si mesmo pode rachar dentro da própria personalidade independente de sexo, religião ou idade? Se esvaziar é um jogo perigoso. no dia seguinte olha para o teto e alguma coisa vai mal. A ambição desmedida é um jogo cego e um encontro às escuras, fetiche típico da modernidade da informação veloz, máscara da verdade e bizarra moeda corrente. Tem um pouco de doentio, outro pouco de atrativo e deixa umas sequelas que por alguns anos até podem se disfarçar bem. A balada, aquele "happy hour" no principio é o cenário de liberdade, e logo vira o cenário da confusão. Aí o conceito de felicidade se mistura com a conquista da condição do poder de consumo. A felicidade é limitada a uma certa situação imposta, e o "poder" o "eu posso" fica fragmentado, encapsulado em algumas coisas para serem feitas. Condições, padrões e rotinas, até a atitude se define nesses padrões limitados e o resto se despreza, ou até é motivo de chacota. Aquele que acha que é diferente num dia acaba no seguinte ameaçado pela mesma mesmice antes mesmo de começar a suspeitar. Ai pede a saideira, e paga a conta. Por um tempo pode ficar tudo sobe controle.
Pessoas Estupidamente Atrevidas
O engraçado é que geralmente as pessoas só querem ou proclamam querer se distrair. Mas depois constroem filosofias de bar que ficam fixas em estereótipos e falsidades, e pode ser ainda pior: filosofias da sarjeta que multiplicam estereótipos. O que é que realmente fica obstruindo a visão fazendo objeto de culto tanta banalidade? Por que as pessoas não sabem geralmente distinguir "sarjeta" de "verdadeiro"? Por que tantos sonham construindo conceitos abstratos de estruturas que valem tão pouco? Para que tantos discursos de lealdade e liberdade, esculpindo sua própria sociabilidade para depois esquecer isso em dois minutos? Pode-se ainda culpar alguém com essa filosofia de vida? É como construir preconceitos de olhos fechados sem necessariamente ser preconceituoso digamos "ideológicos" no dia a dia. A doença dos pseudo-inteligentes, dos pseudo-poderosos, dos que tem alguma coisa mas querem mais e acabam estragando a questão. São cheios de princípios de sociabilidade na conversa mas gostam de ser tiranos, gostam mais de fofoca do "poder pequeno social".
Muitos falam de amizade. Depois quando a cabeça começa a apertar, até querem se limpar de toxinas espirituais rápida e secretamente. Ou procurar algum culpado. Como os fieis na igreja que confessam para continuar pecando, renovam energias e assim ter novo poder de aquisição de novas satisfações. Lições e ações para outros, liberdade de qualquer coisa para eles. Os fatos cada vez parecem menos com a sua própria propaganda. Pessoas que por fora se esforçam por serem alegres eternos querendo bancar de "exemplos". Por exemplo, tem uma bem comum: querer viver uma forma orgulhosa que "impõe coisas" mas não querer regras. É a fachada mais esperta, mas requer uma plateia bem adaptada às necessidades, daquelas plateias que precisam ter amigos ou modelos que parecem ser líderes. Até os erros mais óbvios se perdoam. Essa necessidade de expor uma fachada da liderança do enturmado. As pessoas no fundo se tornam frias, como os muros de asfalto numa noite de Júlio paulistano que pouco se importa pelo próximo e escondem um profundo leque de medos, e porque não um certo ódio a si mesmos. Como se a própria alma se enchesse de asfalto e assim escraviza a pessoa a se calar consigo mesma, e outra personalidade diferente toma em segredo o comando.
Algumas pessoas mais estupidamente atrevidas, com certa miopia mental, até encenam escancaradamente um auspicioso vampirismo de um tipo de oba-oba que arrancou faz tempo muitos pedaços quais zumbis esfomeados. Obscureceu a mais bonita espontaneidade numa pantomima do culto ao livre arbítrio exposto com maneiras suspeitas e apressadas, mas sem estilo nem refinamento algum. Existem certos afazeres de certas pessoas que geralmente são desprovidas de visão, e ficam aos poucos muito longe da possibilidade de acessar uma situação especial. Também perdem a facilidade de alimentar o espírito, porque estão cheios de buracos escuros na personalidade que vão se juntando como sujeira. Vai se acumulando além do rodapé. Uma situação interessante no começo se anestesia, antes de ser cortada em pedaços. Algumas pessoas em certos aspectos podem ser mesmo perversas e ninguém imaginar pela aparência. É sem uma equação ou formula especial, é imprevisível. Existe uma força que empurra as pessoas a se autodestruir, como se a frigideira gigante com óleo fervente fosse um imã. Mesmo começando pela mente. Como a tendência daquele sujeito ou garota que quase sempre simuladamente abandona tudo do melhor que tinha, ou muito por nada, ou quase nada. Lógico estamos falando nessa modalidade, não que todo mundo seja assim.
Um hábil manipulador -ou manipuladora, arma feminina eficiente- assustado que não admite seu susto mortal, sobrevive mantendo uma utilização embaralhada de auto-desculpas saudáveis, ou com intenções de instinto de proteção e outras nem tanto. Costuma perambular carregando aos poucos um estilo especialista em algum tipo de simulação sem dor que pareceria elegância ou ás vezes um certo ar de improvisado desespero. Sabe na verdade o que se passa na sua mente? Sabe se de fato quer viver assim sempre, se precisa ser assim? É aqui que voltamos ao desdobramento mencionado na desconcertante reflexão de Deleuze.
Qualquer Tipo de Dor
Por que não dizer o mais notável? Frequentemente adaptando sua própria e secreta sociopatia, usando ferramentas manipuladoras e impulsivas, mas quase sem ninguém notar, as vezes pode-se ver que o individuo se entrega a certos impulsos de fato num clima de piada o que é interpretado como claramente a única coisa inteligente a ser feita. Pode ser aquela autoafirmação até pública, perante uma turma de companhias passageiras que cumprem a função mais o menos oportuna de observadores-juízes. Aquelas são estranhas tarefas, mas muito comuns hoje em dia. As pessoas se acostumaram a pensar nesse tipo de coisa todo dia, que todo mundo faz porque faz. Quiçá pelo seu conhecimento precário, e condicionados por uma preguiça abismal para abordagens um pouco mais complexas, conduzidos muitas vezes como gado e facilmente comprados. Até quando algum elemento dessa 'turma útil' fica mais inteligente que 'o tolerável' pelo 'controle central principal', é rapidamente "retirado de circulação" pelo hábil manipulador, quem percebe como cão farejador essas manifestações. E tem truques até previsíveis prontos para deixar tudo no nível pré-mastigado e digerível para o pontual júri, oportunamente sob seu controle. Podem ser acusados de inventar conspirações exageradas, que não vivem a realidade e são infantis, vale tudo para os fissurados pelo poder pequeno, que gostam de mexer os pauzinhos das marionetes que caem em todas ou quase todas suas armadilhas. Finalmente a única verdadeira fraqueza é acabar feito marionete e se tornar sabotador de qualquer promessa de vida, pequena ou grande.
Go Straigth to Hell Boy
Tudo é mais complexo quando existe uma multiplicidade, mas isso não significa que não possa ser visto. Muitas pessoas se acostumaram a pensar no poder, o poder do domínio econômico, nesse tipo de coisa todo dia -as 'material girls', por exemplo- e toda hora, porque é essa a única saída que os artífices imediatistas da sociedade nos vendem, porque eles também precisam que as pessoas sejam assim, querem dizer como tem que ser a liberdade dela e dele. Aquela pessoa só materialista acaba só materialista, para eles é a finalidade, não um meio. É feito com a mente deles, não as nossas. Não tem construção, tem utilização. Não tem pessoas, tem colaboradores desconhecidos. Quanto mais desconhecidos melhor, Então que vão para o inferno.
Não importa quantos filósofos vão ter que se suicidar para você poder conhecer o que diziam, não importa quantos The Clash vão ter que por o grito. Eles só vão retificar o que está na sua cara, o obvio demais. Só. Um filósofo moderno vê o que você vê, o melhor dizendo, sabe expressar o que você observa com o coração, e a sociedade imediatista-só materialista-só interesseira de tuno não vai aceitar nem como realidade paralela, porque atrapalha e perturba essa meta final: o interesse de momento para obter benefício econômico. No máximo aceita o "outro lado" para defini-la como poesia de loucos. Não importa quantos vão cair na armadilha da cobiça, quantos vão ficar seriamente magoados, as pessoas ficam predispostas para tudo o que 'tá fácil'. Para tomar a mais conveniente posição, e o malandro fazer sua festa particular de justificáveis intervenções, ávido vai direto à procura de uma felicidade muito artificial para ser real. Mesmo assim vai. Aquela filosofia mais de botequim, proclamando a libertação com um estilo quase até brega de patriótico social e que obviamente nunca acaba muito bem. Tentar alternativas é livre e humano, infelizmente desperdiçar demais também.
Não se apresse a querer ver tudo muito positivo ou favorável, a metrópole convida ao desgaste, ao desperdiço, a euforia. Muitos estrangeiros vêm de passagem, compram essa loucura toda para curtir, mas a grande maioria depois volta por obrigação e instintivamente a suas lógicas 'overseas', da sua terra. O tic-tac de culturas diferentes ou digamos mais antigas funciona assim. Não captam sempre tudo da mesma maneira local. Quem defende demais o que proclama "da sua terra" acaba também defendendo até a própria estupidez e a do seu grupo. Tem alguma coisa muito misteriosa nessa charada tão paulistana (e universal porque se adapta a qualquer cidade moderna) encoberta de impulsos, instintos. O mais incrível e significativo é que depois de uma festa aturdida quase todos lamentam penosamente certo tipo de excessos como perda de tempo. Bem mais cedo porém apostavam muito nos resultados da noite. Desgastados depois, até procurando responsáveis, e também até religiões ou seitas para abraçar. E o pior de tudo foi aceitar ser aconselhados principalmente por desconhecidos. Quem sabe ficaram sentimentais, receptivos demais, em matéria de conselhos sempre genéricos, até na filosofia improvisada. Qualquer pessoa experiente na astúcia, ou digamos assim, que procura mostrar que sabe demais fica sendo admirado e fazendo um grande favor fetichista aos necessitados de transmitir certa sabedoria das coisas da vida. Os antigamente invencíveis mimados de repente querem ser conquistados nem sabem pelo o quê, ou quem. É por isso que aparecem os conselheiros.
É incrível como certas leituras de nível médio levadas muito a sério até por maiores de 30 anos pode causar baita confusão na cabeça de certas pessoas. Alguns seriados adolescentes também levados a serio fazendo associações mentais erradas até achando que isso fosse ou seria a única realidade possível entre as pessoas. Esse jogo de questões contraditórias tacitamente são aceitas, mesmo que podem estragar a visão da realidade de muitas pessoas mentalmente vulneráveis. Por exemplo, algum best-seller americano tipo 'comer, rezar e amar'. Mas na verdade sem muita inteligência qualquer observador poderia descobrir que aquelas intenções (cheias até "benção") incluem-se outras questões em jogo que não são ditas. Pessoas fazem besteiras monumentais, e fingem que nada aconteceu, ou que a culpa é das situações ou "lances", ou questões de gênero, por exemplo da competição com os homens. Ou muitos homens que dizem procurar ou provocar coisas especiais em mulheres, mas na verdade constroem típicas relações por debaixo das circunstancias.
Tem pessoas também que querem competir sem necessidade, tem esse vicio. Muitos desses viciados fingem serem maduros e inteligentes, superados. Sem nenhum tipo de exagero de misoginia pode-se observar que a maioria das mulheres reage ao vácuo social com até tendências de instabilidade mental serias, mas passam batidas na sociedade. É muito comum de se ver isso quando querem "se mostrar" demais. Muitas acabam sendo mercenárias, criticam o fato mas no fundo gostam. Definir atitudes desprezíveis femininas é bem comum na cultura mas qualificativos são eliminados na hora de ter de faze-los. Logo chamam ou se referem a isso em forma de estranha ênfase tribal, numa encenação de uma espécie de rebuscada autoafirmação justificada. As relações de fato muitas vezes viram vampirescas. Por isso tem tanto filminho de vampiros para jovens, é a melhor forma de falar disso sem ter que falar disso. Todas essas fachadas fazem da pessoa facilmente alguém que apenas 'consome, engana e despreza' e de fato se "auto-aconselhou" bem mal. Isso pretende ser sempre levado a sério demais com um orgulho que vira "padrão social de afirmação."
Iníquas Desonestidades
As pessoas de fato consomem o que oferece a sociedade, e logo esquecem. Em dez minutos qualquer coisa pode-se esquecer. Os valores parecem ser postos à prova, no limite da velocidade tecnológica e "supra-temporal." Hoje em dia os dois gêneros fazem idiotices equivalentes, até com a mesma intensidade. Como no passado quando se elogiava a "esperteza do machão" que à noite procurava satisfazer de jeito sub reptício desejos que supostamente sua esposa não conseguia, -e quiçá ela nem era consultada- porque no cara safado dava aquela preguiça de diálogo, ou falta de coragem. Ficava mais fácil enganar estilo homem Todo Poderoso. Então, com uma falta de criatividade monstruosa, vinte ou trinta anos depois tudo vira ao avesso, agora se encontram muitas mulheres cara de pau como esses caras que fazem o tipo. Aí elas podem repetir as mesmas asneiras e iníquas desonestidades, e serem até tratadas como heroínas nos círculos noturnos femininos. Viver sua vida dupla pulando a cerca dos limites da própria moral. Ostentando um absurdo alvará de impunidade estilo "periguete on the road". Por que não descobrir como funcionam esses conceitos mal interpretados? Por que ninguém ou quase ninguém quer saber o que vem fazendo ultimamente? Por que dão importância a outras interpretações desses significados, e ainda feitas por desconhecidos? Por que as pessoas insistem em serem "massa" e multidão quando precisam ser indivíduos executando tarefas específicas? Por que sempre o mesmo nihilismo, e se justificando: 'não estamos neste mundo para progredir como pessoas'?
Marchando pela insensatez ou não, na noite paulistana dessas histórias as personagens vão surgindo. São rostos que parecem contos repetitivos, e não conseguem ser espontâneos. Os orgulhosos e supostamente seres resolvidos heteros, gays ou bissexuais. A final de contas todos são pegos pela mesma rede, a mesma situação se repete. Daquela orgulhosa sensação de poder de afirmativa alegria geral exagerada do consumidor, surge a expressão da impunidade. Assim pode-se comprar o 'boleto' da ousadia da noite. Mas a maioria não sabe ver além disso, muito menos tentar nada que os tire desse fingido conforto que amanhã vai ser com certeza uma depressão por acumulo de atos vazios. Nem mesmo por curiosidade ou verdadeiro orgulho e respeito pela própria pessoa, acorda o baladeiro. Tem por aí como uma espécie de ânsia de socializar demais, de se integrar mesmo com um bando ansiosos impacientes fingidos, porém até controlados na postura geral. Eis a complexidade das situações disfarçadas. Sempre consumidores querendo ostentar poder baseados em certa liberdade económica de momento. Exemplos comuns: provedores machos cheios de renda, carro bonito, e caçadoras depiladas fêmeas sexy, fortes no verbo e ostentosas. Formando uma espécie de 'clube triunfador', ou digamos assim, -linha de montagem- que acaba sendo uma rede isquêmica onde a energia humana se desgasta demais e acaba no deserto. Isso mesmo, funciona como uma isquemia, como se a rede fosse muito grande para levar justa vida a cada individuo, e o sangue desperdiçado, a felicidade verdadeira um sonho distante.
Mentalidade de Reality Show
Alguns profissionais poderão dizer que há um pouco de culto cínico disfarçado da infelicidade escondida ou construída pela metade. Assim a pessoa procura fingir que é mais do que é na verdade. Ou aquilo que ainda não pode 'ser' por achar que podia tudo. O que foi semeado é categoricamente um tipo de vazio. Aparecem rivalidades improvisadas ou quase fictícias, são coisas inventadas mas levadas a serio depois. Tem todo tipo de pessoas nas noites, por exemplo gente que quer aparecer como celebridades da noite. É um conceito rígido inculcado pela influência cultural implacável da mentalidade de um reality show. É um culto a um sentimento, um sentimento vago, e também uma espécie de tendência a um voyeurismo. Tem também esses sentimentos semanais, "tal dia você tem que sentir tal coisa". Como aquele tipo de exaltação costumeira de sexta-feira, ou sábado. Qualquer ideia noturna de qualquer bairro, qualquer prédio, de qualquer apartamento. É um fato condicionado por alguns elementos previsíveis que também, de certo modo, fazem disso um clichê. Aquele "Hoje é sexta-feira!"
Pode ser igual em qualquer lugar, em qualquer canto. Não é menos influente ou intoxicante em tal ou qual lugar, só muda de aparência. Pode adquirir vida própria em qualquer bairro paulistano que aguarda essas personagens provocantes chegarem. Como fazendo uma pantomima sem fim que quiçá no outro dia vai precisar de um tipo de simulacro convincente para continuar. E também como se fosse um "feitiço" para a pessoa recuperar parte da identidade. Também é para ignorar qualquer fato importante quase de maneira proposital. Tem isso de sentimento de anestesia. As aparências são muito importantes também hoje em dia, mesmo que a sociedade se considera muito moderna. Mesmo na Era da Incerteza, ninguém quer parecer sem rumo, ou parecer carente. Ninguém quer parecer abrangente demais, ou sensível demais. Não interessa que assim esteja, só podem ser mostrados sentimentos simples, o código é esse. É assim que se enturmam as pessoas, com coisa simples, não exatamente com coisas reais.
Vende-se por ai a imagem da pessoa absolutamente segura de si, procura-se ser autossuficiente para viver corretamente, e ser muito bem visto perante a sociedade. Disso resulta a grande finalidade. Poder ser autossuficiente para não carregar, não ter encargos com a sociedade, nem reclamos, e também o poder de fazer qualquer coisa. E poder ser livre e consumista econômico, acorde aos prazeres e formas de padrões da vida, mesmo os mais absurdos. As regras de consumo estabelecem novos valores também, e sempre, padronizam. As incertezas que estão fora da área de consumo, quase sempre acabam transferidas ao trabalho e aos relacionamentos. E assim que ocorre muito daquilo que se chama de atração pela destruição. Alguns conseguem ainda fugir desses padrões, conseguem ver o jogo. Basta por em evidencia que o jogo foi "visto" para acabar fora do jogo. As pessoas que se agarram a 4 rotinas de comportamento não aceitam novas formas. Vão acreditarem até em Deus dentro desses 4 padrões. Por isso quem se atreve a ver, mais aprende a calar. A noite algumas pessoas acham que ficam mais inteligentes, outras até que ficam mais perceptivas. Tem as influencias e emanações que juntaram com a sua rede de interações pessoais em qualquer experiência de dia, ou noturna. Alguns acham que não farão efeito nenhum no dia útil seguinte. Igualmente os pensamentos vão passear a semana toda, porque as pessoas se auto influenciam com grande facilidade.
Com qualquer pessoa, em qualquer bairro, também existem coisas típicas de final de semana de uma tarde por exemplo como meio de ressaca domingueira. Muitos reclamam de ter que fazer "fera", mas foi assim que configuraram o domingo. Não querem pensar na semana que vem. Estudantes e trabalhadores "obrigados" a serem responsáveis às pressas toda semana, ficam cansados ter que pensar em "pressões". Mas depois de certa idade reclamam disso, porque gostam de reclamar de tudo. As vezes a mente não aguenta e larga tudo na confusão, não conclui os princípios ou objetivos. Aqueles nutrientes e hidratação que faltam, conectam mal os pensamentos. Tudo fica nessa letargia paulistana sem graça, para jovens que supostamente querem viver a vida. Na burguesia e na classe média (que quer subir de degrau algum dia) o poder da sobrevivência é a força que comanda os jovens nas noitadas, ou em seus acompanhantes. Quando a balada não é o último refugio das suas mentes também parece que as vezes ficam até reagindo estilo "punk genioso". Ficam em desacato com o que eles chamam de tradições assustadoras do mundo, mas o único que sabem mesmo é que estão revoltados. Se soubessem os verdadeiros motivos e o que farão daqui alguns anos, ficariam mais tranquilos.
Quem sabe alguma força que limitou os pais em plena recessão econômica e tempos difíceis. Pessoas descontam esses fracassos nos parceiros casuais, estáveis ou amigos. E sem mesmo saber, também neles mesmos. De repente alguns tem desdobramentos de egocentrismo cíclicos, ou desenvolvem até ódio por pessoas idosas, porque odeiam qualquer tolerância e empatia, parece-lhes fraqueza qualquer coisa relacionada à família, ou à amizade. Um peso muito grande. Participamos de uma sociedade que quer sempre parecer exageradamente segura com o que acha que vê. Sistematizando tudo o que deve ser realizado com colossal velocidade, foi assim que esquecemos o mundo mágico. Foi assim que começou o espaço enorme entre homens comuns e homens de conhecimento. A passagem consciente de tirar algum aprendizado no caminho, algo mais humano, mais verdadeiro, que valha a pena mesmo, fica parecendo um sonho distante que acaba com a ligação de alguém inoportuno. Algum barulho na TV acesa. Qualquer situação que distrai, uma brecada de ônibus, uma ligação pelo telefone, um toque de campainha de celular ou um texto rápido de "torpedo". Pode ser que apareça uma surpresa em forma de 'tapa na cara' silencioso. Muitos daqueles caras de pau que se exibiam como superados, também mostravam preconceitos incríveis no intimo. Mesmo com dinheiro não podem ocultar preconceitos e ignorância. Com dinheiro pode-se encobrir tudo com um véu oportuno de prazeres e situações agradáveis. "Não tem moralista mais rígido que o prazer", dizia o poeta Byron. Não é de se surpreender sentir reserva, e também decepção por varias coisas que se vem à noite. E deveriam ser pessoas que se supõe que sabem o que estão fazendo. Se seus olhos, algum dia paulistano apostaram na amizade, numa relação verdadeira. Algum tipo de valor humano por cima da coisa media que querem nos vender todos os dias. O que resta visível com o passar do tempo poderiam ser marcas numa pessoa que viu e viveu bastante coisa. Mostra a estrada que foi atravessada. De quem se molhou porque não tinha medo da chuva. Com algum tipo de paixão que podia perdurar, e não está à venda. Quem sabe existiu aquele tipo de pessoa que achou que por algumas horas podia desafiar a trapaça e cobiça com algo melhor, ou não estava interessado em nenhum desafio para idiotas. Quem sabe existe a pessoa focada com alguma receptividade. Parece nada, ou quase nada, mas esse é o cenário cambiante que é difícil de descrever porque tem muitas formas.
Todos os dias se renova para se repetir, mais uma vez. É difícil que alguém perceba o ciclo sem antes aprimorar muito bem a própria percepção. Também nada mudou muito nesse particular mundo paulistano. E a balada paulistana antropocentrista no novo milênio pode ser fechada antes com consultas pela internet, ou com torpedos de celulares que junto com o normal entusiasmo muitas vezes escondem angustias e simulam alegria. O arrabalde paulistano muitas vezes vai expulsando as pessoas da sua própria inteligência para dentro da noite. Depois, como se fosse um conto de escuros protagonistas brilhantes só para a trapaça, o delírio, e o mais sedutor: que as verdades se misturem com as mentiras.
No inverno, qualquer historia paulistana com muitas pessoas de diversos níveis emocionais começaria numa noite fria, mas contraposta com o calor que irradiam muitas necessidades humanas. Nas experiências se atua com os elementos disponíveis. O que é vivido deixa rastros, uma sombra ou uma espécie de conhecimento indefinível que pode se sentir e observar com uma urgente implacabilidade de espreitador.
O "Grande Irmão" entra na nossa mente para impor as regras, controlando todas as tecnologias e fingindo que tudo é piada.
"Essa era a Sutileza Máxima: Induzir conscientemente a Inconsciência, e então, Tornar-se Inconsciente do Ato de Hipnose que se acabava de Realizar." George Orwell
No jogo lúdico da TV que depois é repassado para as mentes que desejam, o 'reality' nos faz acreditar na liberdade e na honestidade dos espertos. São mensagens poderosas pela sua maléfica simplicidade. Porém, impõem outra coisa: padrões de filosofia baseada em fofocas, banalização como escudo de defesa de tudo, sentidos e glândulas desbocadas como virtudes. Falta de lealdade entre amigos como exibição de poder. Esses exemplos se trasbordam para á realidade das ruas, esse poder é ostentado nas ruas, nos bares, em rituais de sexta-feira e nas noites de sábado. Esse tipo de assimilação muito orwelliana, se espalha desde vários lugares, ou surgem de varias fontes na nossa cultura. O "reality show" é apenas uma manifestação, a mais cara de pau possível. Só que tem outras coisas inseridas nessa questão da balada, da juventude ou "homem-médio" muito consumista mesmo. Se projetando nas compras, sucumbindo na ideia de que pode consumir, e de se amarrar na questão de que o poder de fazer aquilo é o máximo. Aquela poderosa vontade justamente de obter poder. A sociedade é uma pirâmide econômica elaborada de sucesso. É a través desses padrões que podemos obter algum conhecimento, ou também naqueles padrões em que a Banalidade do Poder dita as regras. Os valores ficam no xadrez pelas pessoas e suas fraquezas, não pelas instituições arcaicas ou enferrujadas, são primeiro pessoas que desistem. É fato: a memória seletiva de muitos espertinhos faz o trabalho dos abutres. Justifica tudo o que vão fazer. Mesmo sendo muito contraditório. E esses espertinhos ficam muito seduzidos pelo próprio orgulho, mesmo sendo um orgulho bem pequeno. De consequências pequenas, que também assim sendo podem ser muito bem dissimuladas. Os lutadores, ao contrários dos espertinhos, podem se ver até contra vontade em momentos difíceis, podem se identificar duas forças enormes correndo pelas veias: a chama da justiça visceral que vai ter que encarar o trabalho pesado.
As lutas do coração de quem precisa com urgência colocar mentiras e verdades no seu devido lugar após um grande confronto, um forte empurrão de uma situação muito desafiante. Luta e avaliação, desordem ou qualquer forte aperto. Aparece uma grande necessidade de crescer. E tem por outro lado o empurrão da vontade de conhecer profundamente forças quase opostas na sua origem correndo novos riscos: uma bem mundana e exigente, a outra espiritual mais forte em vários aspectos. Ainda principalmente pelo mistério que a precede e os mistérios que sabe desvendar quase sem esforço.
Nem todo mundo gosta de ser ou parecer igual aos outros para ser aceito, para ser parte da sociedade. Muitos não gostam de copiar outras pessoas. Pode soar terrível para os mais sensíveis defensores da preservação da vida social mais fácil, mas alguns preferem ser vistos como antissociais do que acabar igual a quem é preguiçoso demais para nada fazer como indivíduos, e deixar passar os avisos mais exigentes da percepção. Existem vários pesadelos noturnos de quem fica no trance dos questionamentos morais humanos para manter a conservação da própria mente clara, porque às vezes passa também a ser uma luta interna. Pode haver pesadelos bem menos abstratos e muito claros, seria inútil descrever visões que às vezes dificilmente são compreensíveis para qualquer um. Também podem ter uma simbologia diferente para cada experiência. Principalmente porque cada um tem a sua simbologia onírica pessoal. Afinal, quem por convicção própria ou acidentalmente consegue abrir um pouco de forma natural alguma das portas da percepção pessoal, sempre paga um preço e sabe que deverá desenvolver algum tipo de disciplina pessoal para obter um nível aceitável de clareza.
Existem pessoas muito estúpidas e também maliciosas. Sempre tem pessoas bem vestidos de cordeirinhos. Melhor que os lobos não mostrem o verdadeiro rosto. As pessoas geralmente gostam de dizer que "tentam amar" quando se sentem sob pressão principalmente de alguém que lhes parece mais inteligente, ou mais poderoso no plano material. Outras dizem sempre que o único importante é o foco, mas na verdade elas não estão focadas do jeito que querem mostrar. Apenas 'querem' parecer aumentar a própria importância, e isso é impossível de confessar mesmo que elogiem a franqueza em outras pessoas toda hora. Copiar alguma frase de revista semanal ou qualquer lema de autoajuda para não perder o charme pode livrar pessoas vazias de chamar muita atenção e não parecerem o que talvez não queriam ser, mais acabaram sendo inseguras em vários assuntos. Quem pode se livrar da obsessão que gera essa palavra (foco) importada às pressas das culturas dos anglo-saxões do norte ou dos tigres orientais industriais? Enfim, do mundo globalizado dos negócios? Da competição pelo controle das fontes de energia? Da ideia da manutenção sensata da sociedade? Tacitamente o cidadão local ansioso a transforma em transfigurada fé cega, e fácil de comercializar em tons de "acusações" que mudam de aparência com os caprichos do mercado e a ânsia de qualquer tipo de poder. Sem saber muito bem nem o que está dizendo nem o que está fazendo.
Engraçado ou não, as aparências são mantidas como pilares intocáveis. Assim é difícil apontar as questões artificiais, qualquer abordagem seria corre o risco de ser qualificada de muito chata, e descartada. "Foco" era a saturada e previsível palavra, o significado perseguido com frequência as tontas e as loucas. De qualquer jeito mesmo. Era uma das palavras preferidas da filosofia daqueles tempos de desespero inexplicavelmente colidente, e estupidamente contraditório estilo metropolitano. As pessoas se enchem de palavras, se enchem de cerveja e se enchem de remédios. Principalmente, se enchem. E encher discursos com a palavra "libertar", ou "liberdade", era a maneira hábil e astuta de discursar, muitos sujeitinhos gostavam de proclamas assim, só tinham certas vantagens econômicas úteis na balada, e espaço para falar. Tinha também aqueles profissionais usuários da sarjeta que precisavam afirmar até publicamente a doutrina da própria cobiça, e tentar assim afirmar perante um bando de idiotas retardados sua desprezível banalidade. Depois até instruí-los obscuramente a serem um dia assim, daquele jeito. Quem sabe o verdadeiro motivo? Se justificar ao descartar vivências claves e assim queimar muito dos arquivos do próprio conhecimento? Certamente esse estilo virou moda para assim também manter o sistema rígido da moderna Dolce Vita, do "poder baladeiro dominante", ou também a "força centrífuga da embriaguez". Poder de ter o cirúrgico prazer manipulador do lado escuro da alma de lavar as mãos, e trocar a máscara antes do próximo banquete. As pessoas incautas não os reconhecem fácil, e correm o risco de cair na armadilha. Porque ainda não investigaram realmente em que tipo de mundo se encontram.
"Saber e não saber, estar consciente de sua completa sinceridade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões que se cancelam mutuamente, sabendo que se contradizem, e ainda assim acreditar em ambas; usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade e apropriar-se dela, crer na impossibilidade da democracia e que o Partido era o guardião da Democracia; esquecer o quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. Essa era a sutileza máxima: induzir conscientemente a inconsciência, e então, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. Até para compreender a palavra "duplo-pensar" era necessário usar o duplo-pensar." George Orwell
A vida ás vezes parece uma Grande Brincadeira feita na TV.
Incrível, mas real: essa mesmas pessoas "políticas na sociabilidade, com os amigos" muitas vezes se sentem vazias e choram, colocam muitas frases na cabeça de deus e moralidade. Fazem caras de compaixão. Muita coisa que certamente dá pra ver que depois não praticam bem. Não são nem isto nem aquilo. É bem provável que nos sonhos são perseguidos por eles mesmos. É de fato intrigante que coisa pode estar sonhando cada pessoa condicionada no seu mundo de valores e impressões, que simbologia tem em comum as pessoas nos sonhos? A parte importante deles, de manhã aparece uma sensação de que alguma coisa vital e substancial foi abandonada com certa "ignorância estratégica" e fingido oportuno desprezo. Certa coisa assim sem ser notada. Durante o dia tem que sorrir e sorrir para a sociedade. Mas algo falhou, alguma coisa não vai muito bem com esse deus que tantas coisas lhe empurram, tantas responsas foram colocadas e tão pouco de si mesmos. As pessoas querem fugir das culpas, das responsabilidades não cumpridas, coisas ruins que sabem que fizeram e também as que desconhecem. Quão estúpidas foram, com certeza. Dizem "ninguém merece" isto e aquilo, mas infelizmente não observam como perspectiva, depois apontam as crenças para outras coisas que não confirmaram se foi verdade mesmo. Até as coisas observadas naturalmente não querem que virem exemplos para eles. Mas os outros é melhor que façam sim. É bom depois de fazer proclamas morais publicamente. Essa parte, os ansiosos de baixa autoestima por competir, e excessos infantis de cobiça, nunca aprenderam mesmo a lição. A memória seletiva faz uma espécie de incrível trabalho de limpeza, e pronto! Esquecem tudo. Ficam boiando e até sorrindo cheios de truques tipo simulação. É mesmo um tipo de simulacro? O que é afinal? Sempre com os motores ligados prontos para fugir, para dizer "não quero falar sobre mim". É como as brincadeiras da TV mesmo. E se alguém com um pouco mais de miolos do que os utilizados normalmente pelos paisanos comuns, aparece, o resto logo vai desaparecendo. Pessoas que ainda procuram a verdade -e por necessidade mesmo-, nem tanto por cultivar uma imagem superficial de superação, devem tomar cuidado. "Ei gordão, tome cuidado!" Muitas personalidades trapaceiam no grande jogo, e abandonam a amizade de verdade. Muitas almas que foram lindas, sensíveis e leais. Mas um dia você se vira, e não estão mais ali.
Tem o deserto, e principalmente o vento. Assim os corpos marcham em direções diferentes com suas almas dentro. Mas cuidado, se cortar todas as árvores do seu ser, um dia só vai sentir o vento cheio de poeira do deserto, e jamais o ar fresco e puro da floresta.
Aqueles que se sentem perdidos no próprio vazio que cultivaram, começam a colher confusão, seja no dia-a-dia ou na calada da noite. Alguns perambulando como espíritos travados, até procuram por mais tempo caluniar e crucificar aqueles que os amam e enxergam de verdade. Procuram cegar o ambiente. Vão procurando isso de uma forma até não planejada com antecedência, mas num reflexo de autodefesa irracional (autodefesa ai funciona como auto-outra-coisa) tendem a afastar rápido aqueles que testificaram seu talento e fraquezas solúveis. Quem sabe aqueles ajudariam a tornar a vida bem menos atrapalhada. Acabaria essa vontade de distração infantil: poderia se fazer menos ruído e menos trapaça, esses seres gananciosos não trabalhariam só para suas glândulas. Teriam até amigos, e não entes ausentes de passagem para seu proveito -que passa como as nuvens-.
Haveria melhores coisas para fazer do que formar clubes de pessoas e grupinhos se achando mini celebridades, 'neo-importantes' que pensam que tem amigos de verdade, mas tem apenas uma plateia de bonecos aplaudindo. Versões manipuladas da realidade. Aplaudindo, celebrando, comentando, importunando, falando, chacoalhando o vazio. A lealdade e clareza ficam muito restringidas, e muitas vezes, até proibidas com até piadas maliciosas. Isso cria apreensão, não apenas desassossego.
Causa certo nervosismo latente, para quem vai ficando mais velho e não aprendeu a produzir verdadeira consistência em suas relacionamentos interpessoais. É uma tensão crescente por trás do sorriso, quem sabe ver as pessoas logo percebe. Assim vai a vida, os corpos e as emanações vão e passam, as amizades são quase todas bem vazias. Pode-se perceber pelas emanações de cada pessoa, se é vazia ou não. Os fatos deixam uma sombra secreta, podem ser notados mesmo sem conhece-los e ficam nas pessoas como num desenho pelo corpo. Só aqueles que podem ver também percebem isso. Não é exagerado dizer que a muitas vezes o paulistano moderno, aquele que você encontra numa festa, reunião, num acontecimento social, numa visita, de dia ou de noite, fica se debatendo perante uma sociedade muito curta de visão. Pode se ver claramente quem fica até elogiando o desperdiço. É uma sociedade metropolitana, certamente bem sucedida na economia. Pode ser muitas vezes preconceituosa e hipnotizada por trás de paredes de papelão. Não enxergar mais do que os próprios sapatos com uma pressa enorme para se afirmar perante desconhecidos do asfalto. Desconhecidos que provavelmente depois daquele jogo de poder, nunca mais vai ver. Isso é parte de um fenômeno moderno, de retrocesso. É incrível tolerar todos os dias isso, e tentar se recompor de semelhante imbecilidade constante. E ainda é uma imbecilidade com poder de se renovar, porque encontra caminhos para se disfarçar de outras coisas. Feliz aquele que encontrar uma solução, algum tipo de felicidade verdadeira no meio dessa baita confusão.
"Existem momentos na vida da gente, em que as palavras perdem o sentido ou parecem inúteis, e, por mais que a gente pense numa forma de empregá-las elas parecem não servir. Então a gente não diz, apenas sente. Cães amam seus amigos e mordem seus inimigos, bem diferente das pessoas, que são incapazes de sentir amor puro e têm sempre que misturar amor e ódio em suas relações.”








Nenhum comentário:
Postar um comentário